segunda-feira, agosto 28, 2006

Mudanças - o Blog do Marcelo agora é o Blog da Rua

Depois de alguns testes, decidi mudar algumas coisas no Blog. A primeira mudança foi o nome. Meu Blog agora será chamado Blog da Rua. Outra mudança foi de endereço. Para acessar as histórias agora, digite http://blogdarua.blogspot.com

A apresentação do Blog também mudou. Ficou mais leve e claro. Espero que goste.

O conteúdo também muda um pouco. Só publicarei histórias, notícias e opiniões sobre pessoas em situação de rua. Já tem muita gente boa escrevendo sobre política e o evangelho. Acho que posso contribuir mais sobre o tema "pessoas em situação de rua". Depois de uma intensa busca (via google) não achei ninguém que escrevesse especificamente sobre este tema (em um Blog, claro!).

O que não muda é minha abordagem sobre este tema, que continuará levando em consideração o evangelho e a política.

A última mudança é que não publicarei postagens quase diariamente como vinha fazendo. As postagens serão semanais. Às vezes poderei publicar mais de uma postagem por semana. Por isso, se você quer acompanhar as mudanças no Blog da Rua, tenho duas sugestões.

1) Adicione o Blog da Rua a sua lista de favoritos.
2) Assine o Blog da Rua para recebê-lo em seu computador sempre que ele for atualizado.

Para saber como assinar um Blog leia o texto na seção links deste Blog.

Agora, visite o Blog da Rua. Já tem novidade por lá.

Nos encontramos na Rua.

sábado, agosto 26, 2006

A rua como palco de transformações

Gostei deste texto. Acho que vocês também vão gostar.
_________________________________________________

"A inclusão das pessoas em situação de rua depende, em grande parte, de uma transformação individual, mas também de uma mudança de atitude da sociedade, da mídia e dos governos."

A rua como palco de transformações
Marcio Seidenberg*

Por parte dos governos, é cada vez mais alarmante a tentativa de esconder a população em situação de rua para, talvez, dar a falsa impressão de que o problema não existe. No final de setembro de 2005, a prefeitura de São Paulo instalou, no túnel que dá acesso à avenida Paulista, uma rampa de concreto de piso áspero, incômodo para quem tenta dormir. A obra, chamada de “rampa antimendigo”, teria sido construída para evitar que assaltantes se misturassem aos cerca de 30 moradores do local (famílias inclusive), e continuassem praticando assaltos. O assunto teve repercussão, em parte por conta da visibilidade da avenida Paulista, mas também pela polarização entre os que defendem a rampa e os que a criticam, num embate entre a “arquitetura da exclusão” e a “revitalização do centro”, num duelo entre a limpeza social e a manutenção do espaço público. Entretanto, no debate do polêmico amontoado de argamassa instalado no fim do túnel, há questões urgentes e de ordem prática a serem discutidas.

A rampa é uma atitude isolada de um projeto que não leva em consideração para onde vão aqueles que habitavam o local. É, portanto, uma porta a mais que se fecha na cidade para aqueles que não têm para onde ir. A ordem parece ser retirar, impedir que pessoas fiquem na rua. E levá-las para onde? Estão sendo construídos melhores abrigos? Afinal, os usuários da maioria desses equipamentos comparam os albergues à cadeia. É banho frio no inverno, desrespeito, uma prisão. É pior do que a própria rua. Há investimentos em moradias provisórias, programas de locação social e bolsa aluguel? Há prioridade na criação de projetos habitacionais definitivos? Em vez de construir rampas, por que não construir condições reais de vida digna?

O problema é histórico. As medidas do Estado voltadas a essa população, desde o início da República até hoje, não mudaram muito. Da derrubada dos cortiços cariocas no início do século XX à operação atual das prefeituras do Rio de Janeiro e São Paulo de remoção, o que se observa é um processo cíclico que visa à limpeza das cidades e ao confinamento das pessoas em situação de rua em albergues e abrigos, políticas que buscam preservar cartões-postais tingidos apenas pela beleza ou pela imponência dos grandes prédios, não pela exclusão.

Fenômeno mundial

Uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) realizada em outubro de 2003 constatou que na cidade de São Paulo há 10.394 cidadãos adultos em situação de rua, número 20% maior em relação a 2000, quando o censo encontrou 8.706 pessoas – o aumento é bastante superior ao crescimento demográfico da metrópole, estimado em 2% ao ano. Quem está nas ruas é um segmento tão diversificado, tão heterogêneo que não cabe em estereótipos. Reúne dos catadores de papel e materiais recicláveis aos desempregados, viciados em substâncias químicas, vítimas de violência doméstica ou até por quem tem serviço, mas não tem dinheiro para pagar condução diária para casa.

A situação de rua – que compreende aqueles que vivem sob as marquises, viadutos e nas avenidas e os que estão em albergues mantidos pelo governo e por instituições filantrópicas – ao contrário do que se imagina, não afeta apenas as nações pobres ou subdesenvolvidas. É um fenômeno mundial. “Ela não ocorre no vazio. Não se pode isolá-la dos contextos sociais, culturais, políticos e econômicos de cada país. Ela pode acontecer a qualquer um de nós”, afirma Kofi Annan, secretário-geral da ONU.

Algumas iniciativas desvinculadas dos governos vêm contribuindo para tratar dessa questão social extremamente complexa. As revistas de rua, por exemplo, que surgiram no decorrer dos anos 1990, configuram-se hoje como uma alternativa de trabalho, geração de renda e inclusão para quem não tem moradia. Elas são, potencialmente, um instrumento de transformação.

As publicações de rua já são mais de 50, espalhadas por 30 países. Tudo começou em 1989, através do jornal nova-iorquino Street News, vendido exclusivamente pela população adulta em situação de rua. Inspirado nele, foi lançada em 1991 a revista The Big Issue, que circula até hoje em Londres. E, em 1994, com o objetivo de integrar e apoiar logisticamente esses projetos mundo afora, surgiu a International Network of Street Papers (INSP). No Brasil, duas ONGs pertencem à Rede Internacional de Publicações de Rua: a Organização Civil de Ação Social, por meio da revista Ocas’’, vendida no Rio de Janeiro e São Paulo, e a Agência Livre para Infância, Cidadania e Educação, através do jornal Boca de Rua, de Porto Alegre.

Saindo das ruas

Quem chega à Ocas preenche uma ficha e recebe 10 revistas para começar a trabalhar. A partir de então, passa a comprá-las por R$ 1 para oferecer aos leitores, exclusivamente nas ruas, por R$ 3. A diferença é o lucro, sem intermediários, do vendedor. A partir da interação com os leitores, os integrantes do projeto (re)estabelecem contatos, (re)criam vínculos. A Ocas foi convidada a participar, por duas vezes, da Copa do Mundo de Futebol de Rua, e teve a oportunidade de levar seu time de vencedores à Escócia e à Suécia. Semanalmente, o grupo de São Paulo se reúne na sede da organização para participar de atividade de psicanálise, por meio de técnicas de psicodrama. Aos sábados, acontece a oficina de criação, que tem por objetivo elaborar conteúdo para uma das seções fixas da revista, o Cabeça Sem Teto. Entrevistas, artigos, reportagens e imagens são produzidos coletivamente. Quando os participantes expressam, através de um veículo de comunicação, seus pensamentos e questões, estão contribuindo para a conscientização da sociedade. Além disso, a Ocas’’ deixa de ser apenas um instrumento de trabalho para se tornar um espaço que dá voz a eles.

Um dos grandes desafios, senão o maior, no contato com a população em situação de rua é criar condições para a transformação pessoal – necessária para haver transformação social. Sair dessa condição é um caminho de avanços e retrocessos, sem fórmulas preconcebidas e prazos predefinidos. Cada um precisa reunir forças para reconstruir aquilo que se quebrou no caminho. E temos que respeitar o direito de gente que não quer sair da rua. Tudo principia na própria pessoa, como diria Gonzaguinha, na famosa canção Redescobrir. “Cada um tem seu tempo, seu nível de violência, de abandono e seus planos para a vida. Eu até gostaria de tirá-los da rua, gostaria que fôssemos uma passagem para que todos pudessem ir para uma etapa melhor. Mas não é esse o nosso objetivo, e sim que eles tenham voz e possam ser livres. E queremos reforçar a questão da cidadania. Cidadãos na rua ou fora dela”, explica Clarinha Glock, do jornal Boca de Rua.

Transformações para a rua

e para a sociedade Apesar da importância dos projetos que oferecerem alternativas à população em situação de rua, não podemos circunscrever todo o atendimento a esse segmento da sociedade a algumas iniciativas isoladas de movimentos sociais ou até mesmo dos governos. Por isso, é necessário insistir na implementação de políticas públicas, porque elas têm que levar em conta os direitos assegurados pela Constituição a todos os cidadãos e cidadãs, como moradia, saúde e educação. “O Estado é o regulador das relações sociais e as políticas públicas por ele implementadas deveriam emergir com a participação de todos(as). O problema é a falta de representatividade da sociedade civil nos fóruns sociais, o que impede uma pressão ordenada e uma visão coletiva fundamentada no diálogo. Cabe a nós pressionarmos o governo pela criação dessas políticas. Precisamos exercer um papel fiscalizador e propositivo”, explica Tatiana Dahmer Pereria, da Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional (Fase), durante o II Seminário sobre População Adulta em Situação de Rua. Além das organizações que produzem a revista Ocas’’ e o jornal Boca de Rua, há também espaços de discussão sobre o tema abertos ao público, como o Fórum de Debates, em São Paulo, a Comissão Permanente de Monitoramento da Política de Assistência à População em Situação de Rua, no Rio de Janeiro, e entidades como a Rede Rua, Pastoral do Povo da Rua e Organização de Auxílio Fraterno (OAF).

Não se referir a essa população como moradores de rua ou mendigos é outra atitude que colabora para quebrar estereótipos. Nós tentamos conceituá-la como pessoa em situação de rua, pensando na idéia de que a rua é uma condição, que pode ser efêmera ou até permanente, mas que não é intrínseca, inerente aos indivíduos que nela estão. Quando é utilizado o termo de morador de rua, tem-se a impressão de que a condição de habitante está tão arraigada, que não há possibilidade de transformação. E aí reside o pilar para a formulação do preconceito, que acaba legitimando, infelizmente, as operações de remoção das pessoas em situação de rua, protagonizadas pelos governos. Confinar essa população em albergues parece menos agressivo do que encontrá-la pelas ruas da cidade, embaixo do viaduto, na calçada de nossas casas. É mais cômodo também. Mas, em vez de permitir que o desconforto seja escondido, a sociedade precisa, num esforço multidisciplinar, finalmente, encará-lo, para, junto com a própria população de rua, apontar saídas e alternativas.

* Marcio Seidenberg é jornalista e colaborador da Organização Civil de Ação Social (OCAS)

quinta-feira, agosto 24, 2006

Vladimir Palmeira

Acabei de receber a resposta do candidato Vladimir Palmeira (PT) à pergunta que fiz a todos os candidatos ao Governo do estado do RJ, sobre suas propostas de atendimento as pessoas em situação de rua. Milton Temer e Crivella foram os outros que responderam. Você pode ler as respostas destes últimos clicando em seus nomes ao lado.

A equipe de comunicação de Vladimir Palmeira explica que o texto foi a resposta de Vladimir a uma entrevista a jornalistas em Campos.

"É fundamental melhorar a qualidade da educação para melhorar a qualidade de vida das pessoas em situação de rua. Nos grandes centros, temos que fazer uma política de recuperação de crianças em situação de rua que garanta educação. Hoje, não se dá educação. Pega o menino, vai para um reformatório, um tipo de presídio, e faz uma escola de bandido. Não estou nem falando de quem está roubando. Falo de quem está vendendo coisas, fazendo bicos, lavando carros. Não adianta tirar da rua e não dar alternativa", disse o candidato Vladimir Palmeira, da coligação "Um Rio para todos" (PT-PSB-PCdoB), ressaltando que pessoas em situação de rua devem ser tratadas diferentemente de acordo com a região, principalmente nos grandes centros urbanos, onde o problema é mais grave.

terça-feira, agosto 22, 2006

Autoridade

Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.” Mateus 7:29

Somente Jesus - que nunca pecou - depois de um tão duro discurso como o registrado nos capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus tinha a autoridade para chamar de insensato àquele que não cumprisse as suas palavras e ainda ver os que o ouviam se admirarem do que dizia.


Não encontraremos nenhum político com esta autoridade hoje em dia. Nunca existiu alguém com tanta autoridade! Os políticos deveriam agir como líderes levando os seus liderados – nós – a somar forças para enfrentar os desafios do país. Mas o que acontece hoje em dia? Como não têm autoridade, prometem mundos e fundos, mas não levam a população a resolver seus problemas.


Um pequeno exemplo. Dar esmola a crianças em situação de rua não ajuda em nada, pelo contrário. No Rio de Janeiro, boa parte das famílias que têm crianças em situação de rua recebe algum benefício social. Os governos sabem disso, mas não têm coragem de fazer uma campanha que leve a população a não dar esmolas para estas crianças. Por quê? Se fizerem uma campanha dessas serão cobradas a resolver a situação. Só o benefício monetário não resolve. Como não estão preocupados com isso, preferem fazer bravata dizendo que vão fazer e acontecer, enquanto a população cada vez acredita menos neles.


Parte do fascínio que Marcola exerce sobre as crianças nas favelas é fruto de sua autoridade. Obviamente, que sua autoridade não é fruto de sua moral, mas de seu poder bélico e da corrupção dos políticos.


Se não escolhermos bem nossos representantes. Se não entendermos que temos nossa responsabilidade nos problemas do país, os políticos terão cada vez menos autoridade e criminosos como Marcola vão ficar cada vez mais próximos do poder.


segunda-feira, agosto 21, 2006

Marcola presidente?

A revista Época de 14/08/2006 publicou uma reportagem sobre Virginia Vallejo, a maior celebridadade da TV colombiana da década de 1980. Virginia foi namorada do famoso narcotraficante Pablo Escobar. Agora ela conta que Escobar assassinou Luís Carlos Galán durante sua campanha à presidência de 1989. Conta ainda que Escobar teve a ajuda de Alberto Santofimio ex-ministro da Justiça e ex-senador da Colômbia com pretensões de chegar à presidência daquele país. Se o plano tivesse dado certo depois da eleição de Santofimio, Pablo Escobar teria seu apoio para concorrer à presidência.

Ao ler esta reportagem justo neste momento de eleições e quase guerra civil em São Paulo, lembrei do Marcola. Será que ele será candidato à presidência do Brasil algum dia? Logo pensei: não! Por mais raiva que possamos ter dos políticos não seríamos tão burros. Ainda para justificar esta impossibilidade, lembrei que não existem no Brasil políticos notórios, como senadores e ministros, amigos de narcotraficantes. Ou temos?

Comecei a duvidar de nossa inteligência quando lembrei que já tivemos um senador apelidado de motoserra, porque matava seus adversários como se derrubam árvores. Que nesta campanha, PT e PSDB culpam-se mutuamente pela violência em São Paulo. O PSDB até insinua - sem nenhum indício ou prova - que o PT teria ordenado os ataques. Que nas favelas do Rio só fazem campanha os candidatos autorizados pelo tráfico local.

Será que nossos políticos estão tão distantes assim do narcotráfico? Como dar um basta a estes políticos sem autoridade? Deixe sua opinião clicando em comentários, logo abaixo.

Continua amanhã ...

domingo, agosto 20, 2006

É melhor contar histórias!

Se dependessem dos candidatos a governador do RJ, as pessoas em situação de rua estavam roubadas. Só dois candidatos apresentaram uma proposta para o atendimento a estas pessoas. Por isso, voltemos às nossas histórias.

Adulto, mais ou menos 35 anos, em situação de rua há quase dez, João (o nome é fictício, mas a história, verdadeira) não se conformava em estar na rua. Conversamos algumas vezes, cheguei a oferecer um emprego (nenhuma maravilha, mas dava para juntar o suficiente para alugar um quarto e sair da rua). Ele dizia que queria algo mais estável, com carteira assinada. Explicava que metade dos trabalhadores no Brasil não tinham carteira assinada; que mesmo não sendo o emprego de seus sonhos ele precisava recomeçar de algum ponto; um passo de cada vez, essas coisas. Nada. Ele parecia que não acreditava que pudesse trabalhar, que pudesse vencer. Tinha medo de mais uma decepção. Usava a desculpa da carteira assinada para fugir da responsabilidade de cuidar de si mesmo. Contudo, continuávamos conversando.

Ele começou um namoro mais sério na rua. Ela engravidou. Seu filho nasceu e foi para um abrigo. Eles continuaram na rua. Visitavam a criança diariamente. Alguns meses depois o nenem faleceu. Estive com eles no enterro. No mesmo dia, consegui vaga para os dois por alguns dias em um abrigo da prefeitura, para que pudessem descansar.

Dois ou três dias depois, saíram do abrigo e João era outro homem. Disse que não podia continuar daquele jeito. Decidiu que trabalharia e sairia da rua. Em menos de duas semanas arrumou um emprego. Em um mês alugou um quarto e foi morar com sua namorada. Hoje ela está novamente grávida e ele continua trabalhando.

Ele costuma me agradecer por tê-lo ajudado a sair da rua. Digo que não fiz nada de concreto. Ele conseguiu o emprego e a casa. Ele diz que estive com ele quando precisou e que isso o ajudou a acreditar em si próprio, de modo que decidiu sair da rua.

"Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus." Romanos 15:7

sexta-feira, agosto 18, 2006

Crivella

O Blog do Marcelo perguntou aos candidatos ao Governo do Estado do RJ quais as suas propostas para o atendimemto as pessoas em situação de rua. O candidato Marcelo Crivella (PRB) respondeu:

"A questão das populações de rua está afeta mais diretamente aos municípios. O Estado deve entrar mais em programas de apoio a iniciativas municipais e, quando o problema assume uma dimensão intermunicipal, deve intervir mais diretamente. Por isso, nossa ação estará voltada muito mais para a prevenção do problema, em larga escala, sobretudo mediante programas de inclusão social, que reduzam o desemprego e criem oportunidades de trabalho remunerado.

Nesse sentido, teremos a "Zona Franca Social", que será uma forma de estimular a atividade produtiva nas comunidades periféricas; a escola em tempo integral, sobretudo próximas a zonas carentes, para dar atividade a crianças e jovens durante todo o dia; e os sistemas de educação técnica e profissional. Em síntese: para resolver o problema da população de rua, tal como se apresenta hoje, faremos ações juntamente com os municípios; para prevenir o problema, a médio e longo prazo, vamos empreender as ações acima indicadas."

quinta-feira, agosto 17, 2006

Milton Temer

O Blog do Marcelo perguntou aos candidatos ao Governo do Estado do RJ quais as suas propostas para o atendimemto as pessoas em situação de rua. O candidato Milton Temer (PSOL) respondeu:

"Para nós, socialistas, a questão da moradia é crucial. Em primeiro lugar, porque não é admissível que um ser humano viva ao relento ou sob os viadutos. A moradia é um direito humano. Em segundo lugar, porque a moradia é um direito social inscrito na Constituição, e se é um direito constitucional tem que ser garantido a todos os cidadãos, sem discriminação de cor, crença, sexo ou renda. Em terceiro lugar, porque a moradia toca na questão da propriedade: não a propriedade capitalista, mas a propriedade pessoal. Toda família tem direito à propriedade de uma casa para morar. A casa é um bem de uso essencial à dignidade: é o lar, o abrigo e o espaço da intimidade pessoal e familiar.
O sem teto, morando na rua, está sendo aviltado. Não tem nem um banheiro para fazer as suas necessidades fisiológicas e a sua higiene pessoal. Não tem privacidade. E isso não é um problema apenas dele. É um problema que nos toca a todos e que coloca em cheque a solidariedade em nossa sociedade. Mas é também um problema sanitário. A insensibilidade social tem um custo alto. É anti-higiênica e atenta contra a saúde pública, atingindo indistintamente a todos, com ou sem teto.
As prioridades em meu governo se assentarão no tripé saúde, educação e habitação. É preciso um grande investimento em construção de casas populares para enfrentar o deficit habitacional. E são necessárias medidas de emergência para recolher a população de rua em albergues (tarefa essa que deveria estar sendo executada pela prefeitura), inclusive com programas de reinserção social diferenciados para idosos, deficientes, doentes, viciados, crianças e adolescentes, gestantes etc.
Isso custa caro? Talvez. Mas é mais barato do que não fazer nada. E os recursos existem. Só a execução da dívida ativa do estado pode representar R$ 18 bilhões (dos quais a administração Rosinha-Garotinho só cobrou 0,5%). Mas se, ainda assim, os recursos forem insuficientes, podemos fazer uma reforma tributária (é claro que isso depende do plano federal) para buscar recursos taxando, por exemplo, o capital especulativo e os lucros estratosféricos dos bancos. O que não pode continuar é essa situação em que a Constituição é simplesmente ignorada, os direitos humanos pisoteados e as condições sanitárias precarizadas."

quarta-feira, agosto 16, 2006

Candidatos a governador apresentam propostas de atendimento a pessoas em situação de rua

A partir de amanhã, o Blog do Marcelo publica as propostas dos candidatos a governador do RJ para o atendimento as pessoas em situação de rua. No dia 14 de agosto, o Blog fez a seguinte pergunta a todos os candidatos ao governo do estado do RJ: "Qual a proposta de seu governo para o atendimento as pessoas em situação de rua?” Milton Temer (PSOL), o primeiro a enviar resposta, inicia esta série de publicações amanhã. Convide seus amigos, divulgue e escolha bem o seu candidato.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Sobre tomates e votos

A larva-mineradora é uma das pragas que ataca o tomate. Se não forem usados os pesticidas adequados, pode-se até perder toda a plantação.

Não é diferente com as eleições. A política brasileira está na lama. A maioria está enojada, não quer saber de política e muitos defendem o voto nulo, em forma de protesto. Para dizer de uma outra forma: a política está cheia de pragas, como uma plantação de tomates.

O voto nulo, tão defendido atualmente, já são 530 comunidades no Orkut, por exemplo, leva às mesmas conseqüências que deixar a plantação sem defesa contra as pragas. Para salvar a plantação é preciso usar pesticidas, para salvar a política brasileira é preciso começar votando em alguém. No menos pior, pelo menos.

A MTV lançou a campanha: Prepare ovos, tomates e principalmente, a pontaria. A proposta é discutir a qualidade do voto e caso os políticos venham com mais papo furado, a MTV propõe que comecemos a juntar os tomates. Mas as coisas não são tão simples assim. Jogar tomates e ovos nos políticos não resolve nada. O que viria depois dos tomates? É preciso votar. Mais que isso, é preciso cuidar da coisa pública. Não adianta dar um mandato a alguém e esquecer dele depois. Assim, seu representante nunca vai se sentir obrigado a te prestar contas. A UNE apresentou um manifesto contra a campanha da MTV. Clique aqui para lê-lo.

Hoje começa a propaganda eleitoral pelo rádio e TV. Acompanhe. Escolha bem. O mote da campanha do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é ótimo: "o Brasil é tão bom quanto o seu voto." Não anule o Brasil. Use seu voto contra os tomates e as pragas.

Fraco

Um adolescente vivia sua vida igual a de qualquer outro de seu tempo. Estudava, fazia amigos, ajudava os pais. Até que um dia seu pai morreu. Começou a ir mal na escola. Sua mãe passou a exigir que o filho arrumasse um emprego, mas o garoto não conseguia se estabilizar. Deixou de estudar. Até conseguiu um ou outro biscate, mas não o suficiente para sustentar a casa.


Sem dinheiro, mãe e filho foram morar na casa de parentes. O menino, contudo, ia crescendo e cada vez mais exigia-se que trabalhasse. Mas ele não conseguia emprego. Cada vez mais ouvia que não prestava pra nada. Voltou a estudar. Terminou o primeiro grau, começou o segundo e, maior de idade, foi novamente obrigado a trabalhar para ajudar no sustento de casa.


O jovem, então, saia de casa e vagava durante todo o dia em busca de algo para fazer. Sem norte, sem confiança em si mesmo, passava o dia na rua apenas perambulando. Vez por outra pedia ajuda para ter o que comer. Parou de estudar novamente. Cada vez voltava mais tarde para casa. Até que um dia depois de uma discussão maior em casa, não voltou mais. Até hoje vive morando nas ruas sem acreditar que um dia possa trabalhar.


Nem todos temos o mesmo equilibrio emocional. Uns tem maior capacidade de superar adversidades do que outros. O que fazemos com aqueles mais fracos? Deixamos na rua?


Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos.” Romanos 15:1


Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.” Romanos 5:6


Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.” I Corintios 9:22


Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós.” II Coríntios 13.4


Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos.” I Tessalonicenses 5.14


sábado, agosto 12, 2006

Dia dos Pais

Pai, obrigado pelo exemplo.

Pai, obrigado pelo cuidado.

Pai, obrigado pelo amor.

Pai, obrigado pelo respeito.

Pai, obrigado pelo carinho.

Pai, obrigado pela disciplina.

Pai, obrigado pelo colo.

Pai, obrigado pelo abraço.

Pai, obrigado por acreditar em mim.

Pai, obrigado pelo incentivo.

Deus, obrigado por seu meu pai.

Romero, obrigado por ser meu pai.


Amo vocês. Feliz Dia dos Pais.


“... a glória dos filhos são seus pais.” Provérbios 17:6b

sexta-feira, agosto 11, 2006

Masculinidade e feminilidade

Para cada mulher forte cansada de aparentar fragilidade,
existe um homem frágil cansado de parecer forte.
Para cada mulher cansada de ter que agir como uma boba,
existe um homem agoniado por ter que aparentar saber tudo.
Para cada mulher cansada de ser classificada como "mulher emocional",
existe um homem a quem se é negado o direito de chorar e ser delicado.
Para cada mulher pouco feminina quando compete,
existe um homem obrigado a competir para que não se duvide de sua masculinidade.
Para cada mulher cansada de ser objeto sexual,
existe um homem preocupado com sua potência sexual.
Para cada mulher que se sente amarrada a seus filhos,
existe um homem a quem se é negado o direito ao prazer da paternidade.
Para cada mulher que não tem tido acesso a um salário satisfatório,
existe um homem que deve assumir a responsabilidade de outro ser humano.
Para cada mulher que dá um passo até sua própria libertação.
Existe um homem que redescobre o caminho até a liberdade.

Anônimo

"E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." Gênesis 1:27.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Só distribuir comida piora a situação das pessoas que vivem nas ruas

Uma pessoa é atropelada e fica estirada no chão. Se não houver incêndio ou risco pior, não mexa nela; não a remova do local. Esta é a orientação dos especialistas em primeiros socorros. Colocar uma pessoa que acabou de ser atropelada dentro de um carro para levá-la ao hospital pode apenas piorar a situação, mesmo quando se tem a melhor das intenções.

Imagine um homem, adulto, com saúde para trabalhar. A sociedade lhe impõe a tarefa de sustentar seu lar. Mas ele não consegue nem mesmo sustentar-se a si próprio. Está na rua, rompido com a família, sentindo-se um absoluto fracasso. Diariamente, ele recebe comida e roupa, comida e roupa, comida e roupa e mais ... comida e roupa. Para este homem, apenas receber comida e roupa reforça sua imagem de um fracassado. Ele toma como verdade que não pode nem mesmo suprir suas necessidades mais básicas.

Esta foi uma das conclusões a que chegou um grupo de jovens da Primeira Igreja Batista de Campo Grande, RJ, depois de realizar uma pesquisa com as pessoas em situação de rua que viviam próximos a Igreja. Alguns dados são esclarecedores: 80% são homens; quase todos com idade laborativa; mais da metade diz ter saído de casa por problemas familiares; preconceito, desemprego e família são as maiores preocupações dessas pessoas. Ou seja, não estão muito preocupados com ter o que comer ou vestir.

Para resolver o problema temos que agir nos lugares certos: fortalecer os laços familiares e recuperar a auto-estima destas pessoas.

Claro, que quem está morrendo de fome precisa de comida antes de qualquer coisa. “Quem tem fome, tem pressa.” Mas, investir tempo e recursos em algo que traz pouco resultado não é prudente. Contudo, que não se use esse argumento – só dar comida não adianta – para deixar as pessoas em situação de rua desassistidas.

Faça como Pedro e João, os apóstolos, que não tendo ouro ou prata, deram o que tinham: a cura. Você sempre pode dar um abraço, uma palavra amiga, atenção. Três coisas com um enorme poder de cura. Que Deus nos abençoe!

"Ao SENHOR empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício." Provérbios 19:17

quarta-feira, agosto 09, 2006

Quem é o seu próximo?

Hoje, chegando para uma reunião no trabalho pediram-me que ajudasse um homem, mais ou menos 40 anos, caído no chão. Lembrei da parábola do samaritano (Lucas 10:25-37).

Neste texto bíblico, um certo homem - intérprete da lei - provocou Jesus perguntando-o que fazer para herdar a vida eterna. Jesus lhe pergunta: O que diz a Lei? O homem responde: amarás a Deus de todo o teu coração, alma, forças e entendimento e ao próximo como a ti mesmo. Jesus finaliza: certo, faze isto e viverás.

Mas o homem, para se justificar, não admitindo que não cumpria a lei da qual era intérprete, pergunta: Quem é o meu próximo? Afinal, como podemos amar nosso próximo se não o conhecemos.

Jesus, então, conta a conhecida história em que primeiro um sacerdote, depois um levita passam por uma pessoa quase morta, depois de ter sido agredida por ladrões, e nada fazem. Logo após, um samaritano, povo desprezado pelos judeus (os que ouviam a história), parou e socorreu o homem ferido. Jesus, então, devolve a pergunta: quem foi o próximo do homem ferido? O intérprete da lei não tem como escapar, e responde: aquele que socorreu o que precisava de ajuda.

Não devemos fugir da realidade. Muitos precisam de ajuda. Devemos nos fazer próximos destes e não fugir da raia perguntando: "quem é o meu próximo?"

Procure os que precisam de ajuda. Não será difícil encontrá-los ...

P.S. - Amanhã comento sobre o que fazer com pessoas em situação de rua.

Abraços,


terça-feira, agosto 08, 2006

Teólogo batista afirma que não basta ser evangélico para conduzir a nação com eficiência

... Sobre a relação Igreja-Estado, Samuel Escobar disse que a Igreja, cuja tarefa é o anúncio do Evangelho, deveria manter uma distância crítica do Estado, para levantar a voz profética em situações que exijam tal postura.

Este é um trecho de uma notícia dada pela Agencia Latinoamericana y Caribeña de Comunicación. Para ver a notícia completa, clique no título deste post.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Cuide bem de sua família

Oi gente!

Meu pai sempre contou uma história de um menino que pergunta ao pai porque dá ao seu avô comida em uma cumbuca num quarto nos fundos de casa. O pai diz que o avô nunca lhe deu nada e por isso merece ficar sozinho no quarto comendo com uma cumbuca. O menino então, seguindo o exemplo do pai, pede para ele guardar bem a cumbuca porque precisará dela quando, mais tarde, tiver que cuidar dele. A história é mais ou menos assim. Meu pai sabe contá-la melhor.

Lembrei desta história na sexta-feira, durante o trabalho. No final da tarde chegou uma senhora, 49 anos, pedindo vaga em algum abrigo. Seu filho a expulsara de casa pela manhã, depois de cerca de um mês que morava lá. Depois de alguns minutos de conversa ficou claro que esta senhora não soube cuidar bem de seus filhos. A gota d'água teria sido o fato desta senhora ter ido se queixar com uma vizinha que os filhos ainda não tinham construído um quarto para ela como haviam prometido. A vizinha foi falar com um dos filhos que ficou enfurecido com a cobrança. Acabou expulsando a mãe de casa. Antes, a senhora morava com uma de suas irmãs, que cuidava do pai. Contudo, limitava-se a dizer que suas irmãs não a aceitariam em casa. Falei com três de seus filhos por telefone e nada os comoveu. Sem o telefone, fomos a casa da irmã que a havia acolhido primeiro. A irmã então contou porque a senhora teria saído de casa. Não quis cuidar do próprio pai ...

Neste mesmo dia, à noite, ouvi na televisão uma menina elogiando sua escola. Dizendo que ela parecia com um abraço, de tão acolhedora. Seja também um abraço para sua família. Cuide, acolha, com carinho e cuidado.

"Lance sobre Deus toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós!" (I Pedro 5:7)

Abraços, Marcelo.

P.S. - Obrigado, meus pais, pelo cuidado! Muitos beijos - e claro, um grande abraço.